Um passeio para todos que une literatura, história e paisagem, e que permite desfrutar do silêncio e da riqueza cultural de um dos recantos mais desconhecidos do sudoeste asturiano.

A rota do Pomar de las Montañas, com início e fim na localidade de Bisuyu, no concelho de Cangas del Narcea, é um percurso de 10 quilómetros que combina natureza, etnografia, história e literatura num dos recantos mais autênticos do sudoeste asturiano. Trata-se de um percurso simples, bem sinalizado e de grande valor paisagístico, ideal para desfrutar do outono, quando os bosques se tingem de tons dourados e ocres.

Bisuyu, o ponto de partida do itinerário, é uma pequena aldeia de montanha cheia de história. Foi aqui que nasceu e passou os seus primeiros anos de vida o dramaturgo Alejandro Casona, cuja obra literária é profundamente inspirada nestes vales. Algumas das suas peças mais emblemáticas, como La casa de los siete balcones, têm referências diretas à aldeia e à sua arquitetura tradicional, como a Casona de Besullo, onde se situava a escola. O próprio autor escreveu: "Creio ter encontrado o paraíso na terra nos meus vales". Atualmente, podem ser visitados vários locais ligados à sua vida e obra.

Mas Bisuyu é também uma terra de forjas e de fogo. Tem um passado notável de trabalho do ferro, visível no Mazu d'Abaxu, um antigo malho hidráulico restaurado que pode ser visitado logo após o início do percurso. Esta remota povoação rural foi também singular pela sua vida religiosa, já que albergou uma igreja, duas capelas católicas e, além disso, a primeira comunidade protestante das Astúrias.

O percurso começa na parte ocidental da aldeia, ao longo de um caminho paralelo ao rio Pumar, rodeado por um frondoso bosque ribeirinho. A poucos metros do início do percurso, podemos visitar o mazo e, mais adiante, atravessamos o rio por uma pitoresca ponte de madeira que nos leva até à aldeia de El Pumar, atualmente semi-abandonada, mas que conserva valiosos exemplos de arquitetura tradicional.

A partir de El Pumar começa uma subida progressiva em direção a San Fliz e El Pozu, com uma subida em ziguezague que se intensifica entre os quilómetros 3,5 e 4. À medida que ganhamos altura, o bosque muda e as vistas abrem-se, permitindo-nos ver os concelhos de Cangas del Narcea, Allande e Tineo. No ponto mais alto, por volta do quilómetro 7, o caminho converte-se num excelente miradouro natural sobre a paisagem asturiana ocidental.

O regresso faz-se pela parte alta da serra, por um caminho florestal que atravessa florestas de pinheiros, bétulas e castanheiros, onde o líquen é um sinal claro da pureza do ar. Nesta parte do percurso encontram-se vestígios etnográficos como moinhos, forjas e cuerrias, estruturas tradicionais de conservação da castanha, ainda utilizadas durante a colheita outonal.

Este percurso circular termina novamente em Bisuyu, onde os caminhantes podem terminar o dia revivendo o legado de Casona, passeando pelas ruas estreitas da aldeia ou visitando os vestígios do seu passado mineiro e siderúrgico. Um percurso para todos os públicos que une natureza, literatura e tradição, numa terra onde cada caminho conta uma história.

PR-AS 168

Conselhos básicos antes de ir para as montanhas

  • Evitar aproximar-se do gado.
  • Se encontrar mastins a proteger o gado, não se aproxime deles, não lhes faça festas e não os alimente. Não permita que o sigam ou que se afastem do rebanho. Eles estão a trabalhar.
  • Se for com um cão, mantenha-o sempre preso por uma trela.
  • Não deixe rasto. Recolha todos os seus resíduos, incluindo os orgânicos. A natureza não é uma lixeira.
  • Agir com prudência. Planeiebem o seu percurso, leve tudo o que precisa e certifique-se de que está adaptado às suas capacidades físicas.

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